Momento da verdade – Bolonha!
É verdade que Bolonha trouxe vantagens aos estudantes?
MENTIRA!
Já vi por vários locais referirem algumas das trapalhadas derivadas do processo de Bolonha, um deles até chegou bem perto de um amigo meu, o João. Mas a mim também me tocou e de uma forma algo caricata…, ora vejamos…
Como todos os que acompanham este blog sabem, estive um ano em Erasmus. Que é Erasmus nada mais que Mobilidade Europeia? E Bolonha, não é suposto facilitar a Mobilidade Europeia? Sim, é suposto!
O que me aconteceu? Começou logo na Alemanha, contactei alguns professores sobre potenciais equivalências para as cadeiras que pretendia frequentar e essas frequências foram-me negadas logo à partida, decidi tentar fazer as cadeiras à distância…, mas como teria de fazer testes em Portugal na mesma data que os meus colegas lá fiquei pela vontade e nem sequer tentei. Optei por fazer as cadeiras que apenas teria equivalência (na verdade, foram zero) e as que me davam real interesse para a minha vida profissional. Já que não iria ter equivalências, pelo menos aproveitava o conhecimento. O mesmo fizeram outros colegas meus, outros optaram por simplesmente fazerem ECTS para serem descarregados nas zonas Opcionais do curso.
Agora começa a parte gira, quando fui de Erasmus combinei tudo (verbalmente) com o meu Coordenador de Erasmus, ficou tudo acertado…, entretanto mudaram de Coordenador e não fui notificado dessas alterações senão no dia em que chego a Portugal, quando começam as surpresas…
Quem vai de Erasmus tem de criar um acordo de estudos, designado como Learning Agreement, este acordo é muitas vezes apenas um papel burocrático pois de utilidade pouco tem visto que quase todos os estudantes Erasmus terão de alterar esse acordo ou devido a problemas de equivalências ou porque algumas cadeiras simplesmente deixaram de existir ou porque preferem frequentar outras cadeiras, surpresa das surpresas…, sou informado (porque fui à faculdade) no dia em que cheguei que a minha proposta de alteração do plano de estudos foi REJEITADA! No entanto o Gabinete de Apoio à Mobilidade não me soube informar de nada disso e nesse momento diz-me para ir falar com outra pessoa que não o meu Coordenador…, aliás…, com o novo Coordenador que eu nem sabia que tinha sido nomeado.
Fui falar com o meu novo Coordenador, e ele recusou a minha proposta alegando número de ECTS insuficiente…, verdade…, para um panorama em Portugal. Bolonha ainda não funciona nos restantes países da UE como deveria, poucas são as Universidades que estão como Portugal. Pelo menos estamos à frente da Europa em alguma coisa…, pena que a tolerância seja mínima, os professores não querem compreender isso. Os ECTS que tinha definidos em Dresden não correspondem à realidade estipulada pelo acordo de Bolonha, é uma banal conversão que não tem qualquer base em tempo necessário de estudo.
Para mim, as coisas ficaram por aqui. Foi uma guerra que tive e lá consegui vencer, no entanto olhando para o panorama de outros colegas meus (e que de certa forma me afectou, não fosse eu ter desistido do Mestrado) vejamos o que aconteceu…, as cadeiras que fizeram em Erasmus não só não tinham equivalência como iriam ter DISPENSA! Ou seja, reconheciam as cadeiras! Brutal! Mas qual a diferença entre dispensa e equivalência? Equivalência dão-nos a nota (ou acordam outra nota caso achem que o aluno foi demasiado beneficiado) e o aluno não precisa de fazer a cadeira, Dispensa é algo mais complicado…, o aluno não só não precisa de fazer a cadeira como está impedido disso mesmo! Ahhh, e não tem nenhuma nota atribuida! Isto é, tem os ECTS mas não tem qualquer valor para entrar na média académica, e caso seja uma cadeira em que poderiam ter boa nota para elevar a média não a poderão frequentar nem sequer para uma hipotética melhoria.
Moral da história, alguns colegas meus fizeram 60 ECTS em Erasmus, o que equivale a um ano de estudos, alguns estão em Mestrado que são dois anos…, ou seja, um ano do Mestrado nem sequer entra para a média, a média final será apenas 2 ou 3 cadeiras e a Tese…, o resto não conta para nada.
Agora pergunto eu, para que raio serve esta mobilidade se em vez de vantagens só temos chatices? Começando por equivalências que deveriam ser directas devido a Bolonha acabando nas dispensas que a meu ver é sinónimo de não reconhecerem as avaliações dos professores noutras faculdades. Parece-me que Bolonha não passa de um mito…
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