Viver na terrinha

Como muitos já devem estar fartos de ler, eu sou campónio assumido! Vivi desde sempre numa pequena vila Ribatejana que ainda está dentro dos limites do distrito de Lisboa, estudei cá até ao nono ano e depois comecei a alargar o meu território, a mijar noutras árvores :X (piada de merda)

As vantagens são imensas,

  • fui criado pelos meus avós e desde muito pequeno que tenho contacto com a agricultura na sua vertente tradicional,
  • ainda digo olá a 90% dos meus colegas da primeira classe (isto não acontece numa cidade),
  • ainda tenho uns 6 ou 7 amigos da escola primária a quem eu dou bastante valor (quando isto acontece numa cidade é sinónimo de namoro de muito longa data ou são primos),
  • conheço os meus vizinhos…, da rua toda… (numa cidade é raro até conhecerem o vizinho do mesmo andar…),
  • quando vou na rua digo olá não só por simpatia mas porque conheço as pessoas (numa cidade, se dizes olá a uma rapariga ela chama-te tarado),
  • tenho quintal, laranjeiras e hortas ao lado da minha casa :D Fruta e legumes frescos o ano todo :D (nem equiparo com uma cidade),
  • ando na rua à noite sozinho sem ter de olhar para os lados nem com medo de ser assaltado,
  • se apanhar bebedeira e adormecer à porta de casa não sou roubado nem violado…

Depois há as desvantagens…

  • Toda a gente sabe quem eu sou…
  • se apanhar bebedeira e adormecer à porta de casa no dia seguinte já sei que alguém me viu e já contou a toda a minha família…
  • se andar apenas com um isqueiro no bolso, certamente que vão dizer à minha mãe que me viram a fumar
  • se me virem a fumar, fico logo com fama de toxicodependente
  • se ficar um mês sem ir a casa por causa da faculdade, dizem que isso foi desculpa para estar numa clínica de desintoxicação
  • se eu beber um café com uma rapariga grávida, vou ser acusado de pai da criança ou de amante da rapariga
  • se me virem num local qualquer, são capazes de nem me dizerem nada mas a minha mãe fica logo a saber por onde andei, mesmo que eu já lhe tivesse dito.

Esta última frase é o motivo que me faz criar este novo post, exagerei BASTANTE em alguns pontos, mas basicamente quis dar enfase ao problema de estarmos num mundo pequeno onde todos se conhecem. Nesta passagem de ano estive com uns amigos em S.Martinho do Porto, estivemos lá uns 3 dias para estarmos à vontade e podermos tirar uns dias de férias para nós aproveitando a época festiva, curiosamente até vi um amigo da faculdade lá o que foi bastante agradável tendo em conta que não o via há uns valentes meses!

Ontem regressei a casa, mas só hoje tive oportunidade de ir ao café do habitual onde a senhora que está a tomar conta do café me diz:

- Já sei que foste passar o Ano Novo a S.Martinho – Pensei que tivesse sido o filho dela a dizer-lhe, afinal de contas comentei isso com ele, ao que respondo.

- Foi o seu filho que lhe disse, não? Ele até me perguntou se queria ficar na casa que ele tem lá.

O que me surpreendeu foi a resposta dela, ao que me diz que uma pessoa da minha terra me viu lá e lhe foi contar, pessoa esta que eu nem vi e tendo em conta que ela me viu e nem me disse absolutamente nada, porque raio foi logo coscuvilhar para o café sobre o local onde passei a passagem de ano? Se me viu, ainda bem para ela, aparentemente até viu alguém interessante não fosse ela comentar sobre a minha vida, agora não tem absolutamente nada que ir para o café comentar com as outras pessoas por onde andei.

Se tivesse alguma coisa a esconder, acho que em vez de estar a escrever neste blog estaria agora à porta dela a ter uma conversa, cada vez acho menos piada a pessoas cujas vidas são tão insignificantes que precisam da vida dos outros para terem alguma coisa que falar.

Enfim…, ridiculo.

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5 Comments »

 
  • Joel Ramos says:

    Epá, eu estou familiarizado com isso :)

    Ainda para mais os meus pais têm um café, adivinha só onde chegam algumas conversas…

  • Rui Maia says:

    É bem triste que esse tipo de situações aconteçam, mas o facto é que no sítio onde vivo também acontecem massivamente.

    Há pessoas que não tem mais com que se entreter no dia-a-dia e para se afirmarem e até mesmo para se sentirem um pouco poderosas, passam os seus felizes dias a partilhar coisas que viram ou que inventam que viram com os amigos/as (que, na verdade, não são amigos/as nenhuns) o dia inteiro.

    Conseguem fazer de uma pequena coisa um grande problema, às vezes tornam situações perfeitamente normais em grandes e trágicas histórias que conseguem derrubar relações.

    Sempre odiei – ódio, puro ódio – esse tipo de pessoas. Não tenho medo, não as cumprimento na rua quando passo por elas e olho-as bem nos olhos sempre que o faço. Enfim, é a minha pequeníssima dose de vingança, tenho a certeza que pelo menos nos segundos em que olho nos olhos das pessoas e nada digo, elas quase se cagam de medo e quase choram de arrependimento por terem falado. Mesmo que no momento seguinte, voltem a tocar no assunto e o seu pequeno mundo continue a girar como sempre girou…

  • yoda.pt says:

    Esse tipo de vida que as pessoas levam é semelhante ao racismo, discriminação sexual, etc .. No fundo são meios para atingir um fim comum, que é o sentirmo-nos melhor connosco próprios .. Ao dizer-mos “o vizinho do lado embebedou-se a noite passada e chegou a casa com uma prostituta” em publico, num café por exemplo, estamos automaticamente a criar uma impressão menos má de nós próprios junto dos outros, por comparação, tal como acontece com a discriminação do ser homosexual e do ser negro .. São artimanhas do ego para conseguir o que quer, valorizar-se, e sinceramente passa-me um pouco ao lado esse tipo de coisas .. Até gosto de saber para me rir um pouco sobre a ideia que as pessoas teem de mim, do que faço e do que sou .. Conseguir lidar com o ego não é propriamente fácil, e é normal a maioria das pessoas não lá chegar .. Enfim, é algo com que temos de saber lidar, e rir disso .. Rir é especialmente importante em relação ao ego, saber rir de nós próprios, do que acham de nós, etc .. É desafiante e desbrava caminhos novos quando conseguimos isso, pelo que se alguém ler isto e achar interessante, considero o aprender a rir de nós próprios algo essencial e básico para nos libertar-mos das prisões do ego e viver melhor :)

    Abraço

  • Beta says:

    há smp um lado mau! m deixa lá…em frnaça ngm vai querer saber de ti!! ach0o q nem vao conseguir dizer bem o teu nome qt +!! m entendo-te perfeitamente…n me imagino a ficar ai a viver e smp q ai vou dou graças e Deus por me ter dado a opção de sair dai!…ah, e eskeceste-te de dizer q se fores visto a tomar cafe c uma amiga de infancia + de 2 x’s corres o risco de andar amantixado c ela q, vadia, deixou o namorado em casa e foi pa terra da mae passear c o amigo! hahaha m sabes q +? é sinal q consegues levar a tua vida discretamente, tão discretamente que o pessoal tem de inventar coisas pa poder falar de ti! haha
    beijoooooooooos

  • Elma says:

    A mina terrinha não é assim tão má: 11977 habitantes :D

    Isto já se considera cidade? :s