Economizar para quê?

Em conversa com a Elma, ela mostrou-me um artigo sobre Economia, basicamente, sobre aqueles gastos parvos que fazemos sem nos apercebermos…

Após ler o artigo, que é deveras interessante, cheguei à conclusão que toda a gente deveria estudar longe de casa dos país e talvez mesmo fazer Erasmus estando dependente apenas de uma reduzida bolsa. Durante os meus X anos de faculdade (até tenho vergonha de dizer que foram 6+1)  vivi fora de casa, apesar de ir com alguma regularidade a casa aos fins-de-semana passava grande parte do tempo longe dos meus pais, longe daquele “conforto” do lar e do belo do hábito de ter alguém que nos faça tudo em casa…, e aprendi a viver graças a essa experiência.

No meu segundo ano de Faculdade fui confrontado com alguns problemas de saúde na minha familia que me obrigaram a tomar algumas decisões, esse ano foi de merda em que fiz meia dúzia de cadeiras, mas tive de decidir o que fazer da vida: Tirar um curso ou ir trabalhar. Optei pelo curso, e para tal tive de recorrer a um empréstimo para estudantes, ainda hoje não sei se me arrependo ou não dessa decisão…

A partir daí passei a estar limitado a cerca de 350€ por mês, que ainda vou ter de os pagar, mais a bolsa de estudantes (que só conquistei no ano seguinte) com a modéstia quantia de 50€ por mês, pelo menos também fiquei com alojamento de borla. Fiz um acordo com os meus pais, eles pagavam as propinas e eu tratava do resto, combustível, alimentação, despesas escolares, luxos e afins ficaria tudo por minha conta. Apesar do empréstimo ser para pagar os estudos, achei que seria o acordo mais justo, os gastos mensais são superiores ao valor da propina e afinal de contas foi decisão minha continuar os estudos, os meus pais apenas estavam ali para me apoiar.

Mesmo antes destas dificuldades aparecerem, já cozinhava enquanto estava na faculdade, é algo que ainda hoje adoro, e que vim a perceber que saia bem barato. Em alturas mais stressantes optava pela comida da cantina, que era um valente nojo (com sorte já melhorou…), seria certamente mais barato almoçar e jantar todos os dias na cantina, mas a saúde também se paga. Cortar nos gastos alimentares sim, mas também devemos pensar duas vezes no que comemos e certamente que arroz estilo argamassa não é a comida mais saudável… A minha tendência vegetariana também ajudou um bocado, nunca gostei muito de carne portanto quando me apanhei fora de casa cortei (inconscientemente) na carne ao ponto de só comer carne quando almoçava ou jantava na cantina…

Depois vêm os outros gastos, sair com os amigos é algo que não abdico, mas para isso preciso de consumir? Chegava ao ponto de ir para o café com eles e ficar uma noite inteira sem comprar uma única cerveja, ou frize ou fosse o que fosse, andava a contabilizar cada tostão para evitar recorrer aos meus pais numa alguma situação mais urgente, comprei um portátil com o dinheiro que economizei e comprei a minha viagem de ida e volta para Dresden quando fiz Erasmus.

É certo que usava o carro, mas só em duas situações, casa > faculdade e faculdade > casa (casa dos meus pais, não residência de estudantes) e residência > supermercado e supermercado > residência, de resto evitava mesmo ter de usar o carro que chegava a ficar uma semana inteira parado no parque até ter de voltar para casa com uma mala cheia de roupa (isto quando não aproveitava para lavar na residência, em que só pagava 1 euro por lavagem).

O passar a roupa a ferro foi outra coisa, mas aqui não entrava o factor económico…, mas sim o factor “calãozisse”, para quê passar roupa interior a ferro? Para ficar mais macia e lisa? Desperdicio de tempo e de energia, boxers, peugas, tshirts (no Inverno) e afins só viam “ferro” quando iam para casa dos meus pais. Recorria (e ainda recorro) frequentemente a alguns truques para evitar perder demasiado tempo a passar a roupa a ferro, estender a roupa direita e esticada e dobrá-la (depois de seca) durante um dia antes de a passar a ferro ajuda bastante, uma simples passagem e ela fica quase perfeita!

No artigo é referido o arrendamento/compra de casa…, é curioso que tive uma discussão com o meu pai quanto a isso há uns meses, decidi que não pretendo comprar casa a menos que a consiga pagar quase a pronto. Já me sinto bastante “preso” por ter uma prestação para começar a pagar em breve, dos estudos, não quero ter de me prender uma vida inteira a pagar algo que só será meu nos meus últimos anos de vida. Qual o objectivo disto? Ter algo meu para dar de herança? E vou ter de ficar preso a uma casa o resto da vida?

Sou uma pessoa que adora viajar, e que não se contenta em ficar muito tempo num local, gosto de mudar de conhecer pessoas novas e lugares novos, não faz sentido para mim “prender-me” a uma casa quando tenho uma filosofia de vida oposta a essa. Curiosamente também é a mais barata…

O procurar casa para arrendar é outro factor, não preciso de luxos só preciso de um canto para dormir, outro canto para me lavar e responder ao chamar da Natureza e mais um canto para cozinhar, nada mais. Estou a pagar 230€ mais gastos por um quarto quando poderia estar a pagar cerca de 500€ por uma casa só para mim e talvez mais próximo do meu trabalho, mas para quê?

Não sou consumista, no entanto perco horas às compras…, isso talvez derivado ao facto de ter começado tão cedo a controlar os meus gastos e por ter estado em Erasmus com sérias dificuldades financeiras, felizmente neste momento não tenho necessidade alguma de perder tempo a comprar preços, mas já o faço institivamente salvo raras excepções, gel de banho tem de ser nívea, nem sequer comparo com os outros. É dos poucos que não fazem testes em animais.

Ir às compras de roupa/calçado é outra aventura…, há quem diga que sou pior que as raparigas às compras…, gosto de qualidade mas também gosto de barato. Mais de 50 euros por um par de ténis é demais para mim, e por isso perco imenso tempo a escolher algo que goste e que seja barato…, não é nada fácil!

Nunca tive mesada dos meus pais, curiosamente eles até me deram o cartão MB da conta bancária deles enquanto estava na faculdade caso precisasse em alguma urgência (muito raramente usava), mas acho que é uma excelente forma de educação. A economia é algo que se treina, não é algo que se aprende em livros. O pior vicio de todos é a rotina, e mudar a rotina pode revelar-se mais complicado do que largar o vicio de uma droga.

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One Response to Economizar para quê?

  1. Elma says:

    Já te disse… Dinheiro é a felicidade dos Infelizes.

    Dito pela verdadeira “tesa” que compra produtos no ebay porque saem mais baratos que no Japão.

    :D