Já referi algumas vezes no meu blog que as minhas viagens me têm ajudado a olhar para Portugal noutro prisma e com grande admiração, aliás, cada vez me irrita mais ouvir comentários como “Lá fora é que se está bem“ ou “Este país é uma merda“ ou coisas do género, quem diz isso é porque claramente não faz ideia de como as coisas estão lá fora, e se há coisas que Portugal está mau em relação a outros países, há outras que tomaram muitos chegarem aos calcanhares de Portugal!
Algo que também me anda a irritar bastante é o sentimento de “repulsa” e de “desconsideração” que algumas pessoas têm, sempre que digo que quero ir trabalhar para o estrangeiro, é por amar tanto Portugal que quero ir para o estrangeiro e por mais paradoxal que isto possa soar é mesmo isso que sinto. Quanto mais viajo, quanto mais pessoas de outros países e culturas conheço, quanto mais vejo do resto do mundo mais gosto do nosso cantinho! Não sei se fazem ideia do que digo, mas dá-me um prazer enorme falar de Portugal e falar do que nós temos, dizer que Portugal não é Espanha e que lá por sermos um cantinho tão pequeno temos tanto só nosso e só de ver a reacção das pessoas ao contar um pouco da história de Lisboa, falar-lhes da Baixa Pombalina, falar-lhes da fantástica Serra do Gerês e falar-lhes da areia das praias de Portugal que nunca vi igual dá-me gosto de viajar!
Viajar para mim não é tirar fotos e ver locais novos, é viver esses mesmos locais e com essa mesma gente, é poder trazer um pouco deles e dar um pouco do que é meu e fazer amigos para voltar a ver neste cantinho que também é meu. Quero trabalhar lá fora porque quero ganhar perspectiva, quero olhar para o nosso país com uma visão imparcial, claro que nunca serei capaz de o fazer mas quanto mais conhecer lá de fora melhor o irei fazer e posso-vos garantir que do pouco que viajei já me fez mudar (e em muito) aquilo que pensava de Portugal! Somos um país realmente fantástico!
Porquê trabalhar e não umas férias? A trabalhar eu vivo a realidade de perto, em férias eu vejo um conjunto de ilusões e fantasias que ofuscam aquilo que é realmente um país, um mês chega para conhecer uma cidade mas não basta para conhecer o seu povo, enquanto a confiança não é conquistada perdemos muita coisa e muita coisa poderá ser mal compreendida, ao longo dos tempos vamos percebendo o porquê de um povo ser mais xenófobo ou mais aberto, vamos percebendo porque raio é que se não gostam quando se fala em tal idioma, vamos percebendo e conhecendo a sua história e as suas raízes! Isso só se alcança com o tempo!
Tenho a ambição de ir para a Ásia, e é sonho que se está a tornar uma obcessão de tal forma forte que estou disposto a ir sem rumo e sem certezas para um novo continente, falta-me é uma certa liberdade, liberdade essa que muito em breve poderei vir a conquistar! A coragem para o fazer nem sei se preciso, a inconsciência que lhe é inerente poupa-me nas preocupações mas só o futuro o dirá.
Depois há o outro lado, o voltar…, lá por fora as coisas podem correr bem ou mal mas são sempre uma experiência nova, mas e o voltar? Vamos voltar para o que sempre conhecemos, vamos voltar para algo que não nos trás novidade nem ambição, vamos voltar para a familia pois os amigos já nem sabemos quem são, voltamos porquê? Porque custa tanto a voltar para algo que amamos tanto?
Hoje li um artigo, que a Elma me enviou, sobre a “depressão pós-Erasmus“, algo que eu julgo que cheguei a sentir na pele, o artigo fala das festas, das experiências únicas, do convivio e dos amigos…, Erasmus de facto foi um ano que nunca mais irei esquecer (a menos que fique amnésico
), mas estou a passar novamente pelo mesmo e só estive 6 meses na Grécia…, não tive as festas que tive em Erasmus, não tive a mistura cultura que tive em Erasmus, não tive a “boa vida” que tive em Erasmus… Mas tive, sim, uma experiência pessoal única, tal como todas as outras, numa cultura e país que desconhecia e com pessoas que até então nem sabia quem eram! Tive vários momentos intensos mas bem diferente dos de Erasmus, conheci um país que tem MESMO muito para crescer até chegar ao nível de Portugal (no que respeita a diversas áreas) mas ao regressar…, voltei a encontrar tudo na mesma e pior ainda…, ainda menos pessoas à minha espera. Onde estão os amigos?
Viajar é uma droga, uma fuga e é viciante…, ainda não sei qual será o meu próximo destino, mas seja onde for…, a Ásia continuará a ser a minha fixação! Para o bem ou para o mal!
Gostei mesmo do teu post
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