Não tenho escondido o meu agnosticismo, portanto não será de surpreender a forma como eu vejo o Natal. É um dia de troca de prendas, totalmente controlado pelo comércio. Não encontro melhor forma para o descrever e sem pretender ser demasiado parcial, julgo que é uma das descrições que mais se adequa à actual realidade.
Recentemente vi na TV que um bispo ou cardeal reclamou quanto à ausência de tradição religiosa nesta época, acusou que muitas famílias apenas seguiam o Natal por tradição e não por religião. É justa a preocupação, mas será pertinente? Tendo em conta que o Natal já o era antes de o ser, qual o espanto? A religião converteu vários feriados/festas pagãs para eventos religiosos para suavizar a transição de crenças o que aparentemente resultou e bem, no entanto agora exige algo de que não é seu direito, o “respeito” familiar pelo evento religioso.
Aos poucos o Natal deixou de ser uma época familiar para ser uma época de troca de prendas, e dos amigos não é dificil perceber isso, experimente apenas deixar de dar prendas a certos amigos e vejam o resultado no próximo ano…, só recebem prenda se vocês as derem primeiro e isto se eles não vos tiverem logo retirado da lista de pessoas a dar prendas. Na família já não acontece bem assim…, porque infelizmente família não se escolhe
Não fosse já a época susceptível a comentários criticos, os apelos ainda ajudaram mais…, mesmo assim ainda me contive e para não ser “mais um” a realçar o facto de que a igreja não está no seu direito de exigir “compromisso” por esta data, lá me deixei estar calado…, até que li os comentários sobre o actual chefe da igreja católica.
Já por si faz-me alguma confusão como é que a própria igreja católica limita os seus próprios seguidores fieis, e numa altura evidente de crise para a religião (de onde o crescimento em número de ateus e agnósticos “assumidos” tem vindo a aumentar de uma forma abismal) ainda faz comentários dignos de um militante do PNR. Não seria suposto a igreja apelar à compaixão e ajuda pelo próximo? Segundo li, a constituição de uma família heterossexual é o caminho mais directo para a salvação, e isto é dito de uma forma bem apropriada para o século em que estamos, por videoconferência, mas com palavras com uns séculos de atraso. Discriminação não deveria ser apelo por parte de quem supostamente defende a compaixão.
Actualmente sou agnóstico, mas nem sempre o fui e até o Crisma que supostamente iria ditar a confirmação da minha fé na religião católica o fiz. O que me fez mudar de visão foi simplesmente olhar para a Igreja de outra perspectiva, sair dos limites da minha caixinha e ver as coisas de outra forma e a quantidade de falhas e incoerências que encontrei foram tais que não demorou muito a chegar à conclusão que tinha confirmado a minha fé nas palavras de homens e nada mais. Continuo a acreditar em algo superior, daí ser agnóstico e não ateu, mas refuso qualquer crédito a uma igreja que obriga os seus sacerdotes ao celibato quando o primeiro papa era casado e tinha um filho, uma igreja que tem poder financeiro para acabar com a fome no mundo (pena não existirem recursos para tal) e que continua a encher-se de dinheiro e a criar “altares” de luxo quando representam uma religião cujo “filho do seu Deus” era carpinteiro.
Natal? Acho que vou começar é a comemorar o Solstício de Inverno, sai mais barato e pelo menos estou a comemorar algo que de facto existe na Natureza.
bem, não estás sozinho. não és o único agnóstico do mundo que fez o crisma!
Onde foste buscar essa afirmação de que a Igreja tem poder financeiro para acabar com a fome no mundo ? Gostava de uma referência…
A quantidade de ouro ostentado pela quantidade abismal de igrejas pelo mundo fora não basta? A quantidade de riquezas e obras de arte que a igreja possui não é sinal suficiente? Só não vê quem não quer, e não vão ser referências que irão convencer os mais cépticos, este é um artigo de opinião pelo que não pretendo convencer seja quem for.
És um revoltado dude.
Tu não és agnóstico, tu és revoltado como o David Ferreira diz
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O Natal é o que as pessoas querem fazer dele. Tu vês um dia consumista apenas, eu assumo esse dia, sei que para muita gente já só significa a troca de prendas, mas para outras, tal como a minha família, é mais do que isso. É um momento de união, em que estamos todos juntos, na mesma casa, a conversar, a fazer jogos, a reviver memórias de infância (eu normalmente ouço-as…), etc. Posso até dizer que está-se a ponderar este ter sido o último ano em que houve trocas de prendas. Btw, sabes porque se trocam prendas? Porque foi um gesto que existiu no nascimento de Cristo, os Magos vindos do Oriente entregaram Ouro, Incenso e Mirra como forma de louvor e de gratidão. Logo o Natal começou a ser um exagero da tradição, porque havia a tradição de se receber uma outra prenda como sinal de lembrança.
Quanto ao casamento dos homossexuais, fogo este assunto anda a dar que falar, é normal, perfeitamente compreensível, que o Papa chame ao casamento a união de duas pessoas de sexos opostos afinal é isso que nos foi deixado pelos discípulos de Jesus Cristo na bíblia. E família (lar) é a união de um homem, uma mulher com filhos, depois há a família mais alargada, que já tem a ver com outras famílias / lares que estão relacionadas entre si, etc, etc.
Relativamente à ostentação da Igreja, as igrejas que falas, de Talha Dourada teve o seu auge em Portugal nos séc. XVII e séc. XVIII, não estás à espera que se vá destruir estas obras lindíssimas e com uma história enorme pois não?
A igreja na Idade Média como deves saber, viveu em grande ostentação, luxúria e abuso de poder, isso tudo foi reconhecido pelo Papa João Paulo II que além de reconhecer todos esses erros da Igreja pediu desculpa em nome dela.
A maior parte, friso maior parte, da ostentação que tu vês, provém de há muitos anos, é história Gil.
E a ajuda da Igreja para combater a fome é enorme, a Igreja tem inclusive instituições de caridade próprias para fazerem chegar a sua ajuda aos mais carenciados quer nos Países Desenvolvidos, quer nos Países, que nós chamamos, de Terceiro Mundo.
Demorei a responder-te porque queria ter algumas certezas no que vou dizer agora.
Os meus pais, apesar de não gostarem nada de padres e afins, são crentes em Deus e já por tradição todos os anos vão no primeiro de Janeiro a Fátima…, hoje acompanhei-os para ver a nova “basilica”, a Igreja da Santíssima Trindade, que foi inaugurada em 2007.
Passo a citar
tendo sido integralmente pago com dádivas dos peregrinos ao longo dos anos
in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Santuário_de_Fátima#Igreja_da_Sant.C3.ADssima_Trindade
A wikipedia não é a fonte mais segura, pelo que decidi ler outro site mais “fidedigno” onde encontrei o seguinte excerto:
Uma das peças com maior impacto é a parede de fundo do altar, com mais de 500 metros quadrados, que inclui vários desenhos de inspiração ortodoxa sobre folha de ouro em relevo da autoria do esloveno Marko Ivan Rupnik.
in: http://www.guiadacidade.pt/portugal/?G=monumentos.ver&artid=20401&distritoid=14
Tendo em conta que isto foi inaugurado em 2007, tendo em conta que é o quarto maior altar do MUNDO e tendo em conta tudo o que referi quanto ao dinheiro “aplicado”…, julgo que isto basta como confirmação da minha opinião.
De realçar que eu falei em “fome no mundo”, mas também poderia falar em desalojados e para esses seria “fácil” construírem casas para os abrigarem…, pensem no assunto e por favor não me vejam como um revoltado, sff. Lá por eu ter tido a sorte de nascer numa família que me pode dar comer e tecto, não tenho de fechar os olhos ao resto do mundo.